BANZO BRANCO / Melissa Fernandes Mundim

Banzo Branco é a primeira obra da poetiza Melissa Mundim e traz o registro de sua trajetória poética, por 20 anos guardada em gavetas. Os poemas mais recentes inauguram o experienciar de sua interação com o cenário musical da capital mineira, mais especificamente, com as composições de artistas negros contemporâneos, carregadas de emoção e percussões, cuja energia acabou por dar tom à obra. Partindo de um universo poético simples, naturalmente mineiro, o livro foi concebido num momento em que aqueles tambores convidavam-na a silenciar-se e ir para o mundo, simplesmente como se é: luz e sombra, papel e lápis, mente e coração, amor e dor... Um Tao nas águas da poesia.
 
‘‘Mineira de uai e tudo’’, como brinca, a autora nasceu em Belo Horizonte, numa família amorosa, cheia de tipos que lhe enchiam os olhos quando resolviam contar seus casos – cada um do seu jeito, dando seu colorido e suas sombras. O que traz neste primeiro trabalho é uma sucessão de cometimentos que iniciou na infância quando o avô, poeta caseiro, passava os dias aposentados gravando num cassete portátil, seus versos cotidianos para apresentar às visitas. Foi com ele que escreveu seu primeiro poema. As rimas fáceis, traço marcante, passam pelo velho Tié e dão leveza a certos rabiscos – assim ela diz  – pois o simples tem seu lugar.

Acumulados por duas décadas, os então considerados rabiscos resolveram querer mundo num mesmo momento em que uma experiência curiosa lhe batia à porta. É que, diante do simples, a vida às vezes elabora – e rebusca. Nesse condão, ela vivenciou um contato diferente com a obra musical de um certo herdeiro banto. Um presente que lhe traria céu e chão – e um novo escrever. Sua voz despertou-lhe uma saudade inexplicada de algo que não tinha nome. Mergulhada nas canções que vibravam em cada átomo do seu corpo, perguntava-se o que seriam aquelas coisas tantas, quantas, quânticas e cânticas. Um encontro que mexeu com doce estranheza em várias dimensões de seu existir, até que encontrasse lugar para tudo aquilo e desse passagem ao involuntário desconhecido.

Nessa costura, um enlace lírico – que veio de fora e aconteceu dentro – uma vontade de poder ser negra e também branca, de cravar os pés na terra e entregar a mente às estrelas. Pois é assim que se sentia – um Tao que girava sua própria roda da vida misturando luz e sombra, papel e tinta, silêncios e canções. Do mundo das possibilidades, chegavam palavras e nuances ainda desconhecidas por sua pena, e faziam todo sentido. Uma conexão a partir de uma voz. Como se aquele timbre lhe estivesse a estender a mão para trazer ao mundo uma parte não visitada de si (talvez a melhor), conduzindo-a à realidade de afetações mútuas e origem misteriosa, de que se compõem as artes. Compreendido o cometimento – enfim, poetiza de tinteiro e tudo – essa brasileira das colinas e cachoeiras traz a público um pedaço de seu céu interior.

Serviço:

Banzo Branco
Melissa Fernandes Mundim
Scortecci Editora
Poesia
ISBN 978-85-366-2849-3
Formato 20 x 20 cm
80 páginas
1ª edição - 2012

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