JEAN LAPLANCHE / Bárbara de Souza Conte (org.)

A obra de Jean Laplanche se apresenta como a interrogação permanente que se faz entre a teoria e a prática clínica, um inquietante familiar, uma vez que o texto freudiano que está em sua base faz trabalhar os fundamentos e os desacomodam para novas significações criativas. Laplanche inicia sua obra pesquisando um tesouro, metáfora da arqueologia que utiliza para a Fantasia em sua origem, em um tempo que denomina auto e que marca a fantasia na cena do desejo.
No caminho da Vida e da morte em psicanálise, recorre à sexualidade em um movimento reflexivo onde situa o masoquismo como ponto de partida da sedução. Teoria da sedução generalizada, um dos seus conceitos fecundos em que aponta a passividade e desconhecimento da criança frente à intrusão da sexualidade de um adulto. Enigmas que denomina de mensagens a serem decifradas e que encontra na tradução e no recalque a cena sexual, na qual o sujeito se faz intérprete, portanto, ativo. Nas Problemáticas, seminários compilados de sua experiência como docente transitam pelos textos freudianos para fazer trabalhar metapsicologicamente conceitos como angústia, castração, sublimação, o inconsciente e o id e a cuba. Nesse último, o espaço analítico da transferência marca o campo do analista como aquele que se recusa ao saber prévio do sofrimento do outro e também da autoconservação, ou seja, delimita o espaço analítico como abstinente para abarcar o traumático sexual.
Na maturidade de sua obra se encontram os Novos fundamentos e a Prioridade do outro em psicanálise, em que trabalha a clínica como o descentramento necessário para acesso ao inconsciente como “o alheio em mim e metido em mim por um alheio”, verdadeira revolução copernicana inacabada. Mensagens enigmáticas que são construídas/desconstruídas a partir do código do sujeito: o inconsciente e a metábola, ou seja, outro campo que não o da rememoração ou da temporalidade histórica, nem determinismo, nem hermenêutica, mas sim mensagens significadas. Entre a Sedução e a inspiração coloca o duplo sentido da situação analítica, onde a presença do analista para o analisando faz reaparecer duas alteridades que denomina de inspiração: o analista como um emissor enigmático, carregado de um desejo que ele mesmo ignora e o analista como destinatário, destinado a não satisfazer, transferência da relação com o enigma como tal.
Assim, a partir da extensão de sua obra, os autores deste livro vão apresentando suas interrogações sobre a teoria, a clínica e as intersecções possíveis que fazem trabalhar os conceitos fundamentais de Jean Laplanche.     
Bárbara de Souza Conte

A obra Jean Laplanche: Fundamentos e Intersecções traz textos dos seguintes autores:
Constituindo o Arcaico e o Originário: considerações metapsicológicas.
Ana Lúcia Waltrick dos Santos  - Psicanalista, Prof.ª Dr.ª do Programa de Pós-Graduação da Universidade de Caxias do Sul (RS).

Mudanças na condução da cura a partir do conceito de metábola elaborado por Jean Laplanche para pensar a formação do sujeito psíquico.
Ana Maria Sigal - Psicanalista. Professora e Membro do Instituto Sedes Sapientiae (SP).

Masoquismo e Sadismo: articulações em Laplanche e Klein.
Bárbara de Souza Conte - Psicanalista. Diretora de Ensino da Sigmund Freud Associação Psicanalítica. Prof.ª Dr.ª Convidada do Programa de Pós-Graduação da Universidade de Passo Fundo e Caxias do Sul (RS).

Identificação Passiva.
Paulo de Carvalho Ribeiro - Psicanalista. Prof. Dr. do Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Minas Gerais (MG).

A sublimação em Jean Laplanche.
Sissi Vigil Castiel - Psicanalista. Prof.ª Dr.ª da Sigmund Freud Associação Psicanalítica (RS).

Serviço:

Jean Laplanche
Fundamentos e Intersecções
Bárbara de Souza Conte
Scortecci Editora
Psicanálise
ISBN 978-85-366-2834-9
Formato 14 x 21 cm 
124 páginas
1ª edição - 2012

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