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OFÍCIO: CONTADOR DE HISTÓRIAS / Orlando Roberto do Nascimento

Gostava de contar histórias, o visitante! E como gostava! “E de onde as tirava?”, pensava eu. “Deve ser igual aos mágicos dos circos que pululavam com suas lonas gastas pelo interior afora, que tiravam – mágica e assombrosamente, de dentro de ocos chapéus ou de bolsos vazios, coelhos orelhudos, baralhos ou lenços vermelhos misturados com pombas brancas. Circos do interior: a moça de cintura fina e pernas bem torneadas de fora, cabelos negros, um coração vermelho pintado no lado esquerdo da face, olhos maquiados, ajudando o mágico. Diziam, nos bares, que era com ele que ela – sonhando mágicas – dormia depois do espetáculo.”

Na maturidade descobri que o escrever desliga da objetividade do mundo, e permite sonhar e voar em busca de realidades utópicas. Assim, o único compromisso que tenho ao escrever é “contar histórias” e com isso transformar a realidade, tornando mais palatáveis as angústias inerentes à vida. Ofício: Contador de Histórias é o resultado desse vício de contar o que vivi ou inventei. As histórias aqui presentes são resultado da fusão de realidades vividas e de realidades sonhadas. A criação não é possível a partir do vazio, o que torna o escrever um ato de parir memórias, experiências e sonhos. Escrevo pelo simples prazer de escrever! Mentiria se afirmasse que o ofício é fundamental, mas escrever me faz um grande bem, e este livro é o resultado de momentos em minha vida.

Mesmo as mais tristes histórias me fizeram bem quando escritas, e eis o resultado dessas horas de felicidade que ouso, respeitosamente, compartilhar com os leitores. A concretude do livro, surge como possibilidade de dividir o prazer de escrever e de contar histórias na expectativa de juntos, leitor e autor, viver e reviver momentos de boas lembranças e o prazer de ter tido, em épocas menos atribuladas da vida, mágicos momentos envolvendo contadores de histórias. A produção necessária para o Ofício tornar-se real, deu-se sobre um amontoado de folhas. Não as verdes folhas das árvores, mães do papel, mas brancas folhas preenchidas com números determinados de palavras. No desafio de organizar os sonhos escritos, dei-me conta de minha impotência na busca de critérios para o trabalho de selecionar e colocar as histórias em certa ordem. Impotente, organizei-as por intuição, em partes, orientado pela época em que as escrevi, embrenhadas sempre no tempo em que ocorreram, caso algum dia tenham ocorrido. “As primeiras histórias”, contemplaram as experiências iniciais de escrever.

Em “Andanças”, estão os relatos pensados nas muitas caminhadas que fiz e que são, tanto quanto ler e ouvir música, alimento para meu espírito. Já, “São Paulo” agrupa narrativas do universo vivido durante uma fase de minha vida na cidade onde estudei e trabalhei. A última parte, “Mais histórias” são as últimas que andei escrevendo. O resultado dessa frágil ordenação é o reflexo da feliz impossibilidade de ordenar o caos no mundo imaginário: Uranos gerado por Gaia e permanentemente deitado sobre ela, duplicando-a simetricamente, completando-a. Terra e céu: realidade e fantasia! 
Orlando Roberto do Nascimento 

Serviço:

Ofício: Contador de Histórias
Orlando Roberto do Nascimento
Scortecci Editora
Contos
ISBN 978-85-366-2963-6
Formato 14 x 21 cm 
392 páginas
1ª edição - 2012

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