ENFERMEIRA DE MIM / Lídia Vaz

A face de Rosilene foi se deformando tanto que ela acabou abrindo mão de espelhos. Depois foram as dietas que passaram a ser líquidas e oferecidas através de canudos até que, por total impossibilidade de usar a boca, foi instalado outro tipo de nutrição. Rosilene sentia fome, mas não tinha condição de alimentar-se naturalmente. O resultado do exame tão esperado não chegava e o quadro ia se agravando a cada dia. Foi parando de falar, pois o edema e a lesão agora estavam internamente também, até que se tornou necessária uma traqueostomia devido ao risco de bloqueio de sua respiração. Na manhã de uma terça-feira, Rosilene pediu, através de gestos, papel e caneta. Naquele momento acontecia a visita médica que era realizada à cabeceira do paciente. Entreguei o que ela havia solicitado ficamos aguardando. Devolveu-me escrito nele: “POR FAVOR, ME COLOQUEM ONDE NINGUÉM POSSA SENTIR O MEU CHEIRO”. Todos da equipe ficaram em silêncio.

(...)

Ficou decidido que o seu pedido para isolar-se seria respeitado, porém sob resistência.


“Poucos momentos da minha infância foram tão tristes quanto o dia em que perdi aquela que foi a minha primeira amiga. Sentia-me muito desconfortável em ver sua família sofrendo, bem como assistir à perplexidade das pessoas por conta do ocorrido. Era muito angustiante olhá-la, pálida e sem vida, sem entender por que ela havia trocado seus sonhos por aquele sono tão profundo, além de não acreditar que ela estava abrindo mão de andar de bicicleta, comigo, como sempre fazíamos todo o final de tarde.”
Como aceitar o morrer?
Esta é e continuará sendo uma pergunta de difícil resposta porque a paixão pela vida descortina-se no instante em que a sentimos e, sem pudores, nos atiramos por todo o caminho levando, na mochila, as vitórias e derrotas que vão se acumulando para serem usadas no enfrentamento do futuro que sonhamos não ter fim.
Longe de pretender responder a tal pergunta, Lídia Vaz, em Enfermeira de Mim, compartilha conosco estórias e sentimentos que experimentou em seu exercício profissional e o aprendizado que resultou disso quando o morrer deixou de ser uma ameaça e passou a ser um estímulo, já que, de tanto assisti-lo, aprendeu a fazer as melhores escolhas e a tomar as decisões mais acertadas para que a sua vida fosse vivida em plenitude.

Serviço:

Enfermeira de Mim
Lídia Vaz
Editora Scortecci
Saúde
ISBN 978-85-366-3006-9
Formato 14 x 21 cm 
52 páginas
1ª edição - 2012

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