EU, DEVEDOR, CONFESSO QUE AGRADEÇO / Benedito Fernandes Duarte

É bem possível que a obra de Benedito Fernandes Duarte, este autor singular – e espontâneo, criativo, irrequieto –, só venha a ser devidamente avaliada quando um biógrafo se dispuser a levantar os fatos e registrar sua vida de modo minucioso e organizado. E desta forma se possa traçar um paralelo entre os poemas, memórias e os incidentes que foram cenário de sua produção literária. Seus textos devem tanto à realidade passada ou corrente quanto à ficção; todavia esta, por autônoma que seja, nunca ignora totalmente o envolvimento do quotidiano.
Algumas situações comentadas só poderão ser postas em seu foco correto, como peças em um quebra-cabeça, quando acomodadas aos fatos reais por trás das narrativas. Nada é gratuito, portanto. Benedito Fernandes Duarte não escreve para mascarar, confundir, cativar ou afastar de forma aleatória o seu leitor, e estes são traços distintivos e persistentes de sua produção.
Esta terceira coletânea segue os mesmos passos das duas anteriores, ambas indiscutíveis sucessos perante seus leitores.
O autor cultivou com cuidado o seu público, consolidou-o e o viu ampliado. Na verdade, a organização deste volume reflete o reconhecimento de seus leitores, o que salta à percepção na organização e conteúdo dos capítulos (levou em consideração como as pessoas reagiram sobretudo a Um Afogado..., através das muitas mensagens enviadas — incluindo aquelas de posição nem sempre favorável) e, em particular, na inclusão da avaliação crítica do Prof. João Ribeiro.
Eu, Devedor, Confesso que Agradeço reúne uma seleção dentre centenas de textos produzidos aproximadamente entre a edição de Um Afogado... e o final de julho de 2012, período em que ocorreram vários fatos notáveis na vida do autor e que culminou com seu retorno à amada Bahia, iniciando assim um novo ciclo de sua existência. Talvez não exatamente traumático por isso, mas há tons sombrios em vários textos, o que, sem dúvida, não compromete de forma alguma a densidade e a homogeneidade da obra. Talvez mais madura, mais compacta, mas nunca menos espontânea, menos vigorosa, menos expressiva.
E mesmo que Benê não concorde, nunca menos romântica. Se o leitor tiver a curiosidade aguçada, passe os olhos pelo índice e atente aos títulos dos textos 22, 23, 36 e 70. E então?
Agora leia estas páginas e concorde. Ou discorde. O importante é sempre firmar uma posição crítica, defini-la com coerência e depois sustentá-la. Se todos os seus leitores agirem dessa forma, certamente Benê se sentirá mais do que recompensado pela sua intensa atividade de escritor. Que nunca trabalha sem ter em mente, que muitas pessoas vão ler suas linhas! E assim não podem, não ficarão indiferentes.

Mais um livro de Benedito Fernandes Duarte, nosso Benê. Que também se identifica por outros nomes, ao menos dois bem curiosos e já apresentados em seus trabalhos anteriores, Bill, Bené, Benedito, Fernandes e Gabrielão. Cada um destes está “associado” a uma das frações que o compõem em um todo fracionado e, no entanto, homogêneo.
Antes deste Eu, Devedor, Confesso que Agradeço, vieram E Quando Eu Tiver a Certeza? (2011) e Um Afogado ao Mar Quer Aprofundar (2012, já na segunda edição).

Serviço:

Eu, Devedor, Confesso Que Agradeço
Benedito Fernandes Duarte
Scortecci Editora
Literatura
ISBN 978-85-366-2910-0
Formato 14 x 21 cm 
132 páginas
1ª edição - 2012

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