AS NEREIDAS DE PANDORA / André de Góes Cressoni

Talvez alguém se pergunte: “Como é possível em nosso século que alguém ainda escreva a partir de mitos greco-romanos? Isso não é mais que ultrapassado?”. A resposta para essa pergunta nunca será simples, pois somos todos, nós, ocidentais, filhos da Grécia e do misterioso Logos que tantos tentaram penetrar em suas peregrinações poéticas e filosóficas. Herdeiros de um tempo em que a informação substituiu a experiência perdemos a capacidade de narrar.

Quando muito, apelamos ao romance psicológico, permeado de detalhes e adereços que nos afastam de um contato mais direto com a arte da narrativa. As Nereidas de Pandora consegue o incrível feito, em pleno mundo contemporâneo, de inserir um outro tempo. Não o tempo dos gregos, mas certamente não o tempo rápido e consumível que estamos imersos e que nos afastou do ser da linguagem. O tempo deste poema é o entardecer. Nem dia e nem noite, para fazer uma analogia com a época em que vivemos. Mesmo recusando as formas completamente experimentais, ele consegue atingir o momento histórico em que vivemos. Atinge-o por um outro ponto: pelo que nos falta. Até quando recusaremos a experiência da narrativa em troca de versos efêmeros e que, neles mesmos, já se anuncia a descrença da linguagem? Aqui a linguagem fala.

Cada verso é um mundo sintetizado, pronto a ser desvelado por aqueles que se propuserem a ler. Sentimos o poema como um monumento da Antiguidade: feito para a posteridade, sólido, elevado aos céus por um sacrifício humano e não como um objeto descartável e consumível. É preciso, assim, uma outra abordagem para lê-los: mais minuciosa, mais atenta, sem a má digestão que caracteriza a maioria de nossas leituras. As Nereidas de Pandora consegue atingir o desvelamento, trabalho quase alquímico em um mundo que clama cotidianamente pelo encobrimento de todas as formas de arte e vida.
Augusto Meneghin - outubro de 2012

André de Góes Cressoni nasceu em Maceió no Estado de Alagoas, em 1983. Formado em Filosofia na Universidade Federal de Uberlândia, Mestre e doutorando em Filosofia pela UNICAMP, atua como professor da rede estadual em Campinas desde o ano de 2011. Este livro participa do seu compromisso filosófico que encontra legitimidade na poesia. Essa, no entanto, ultrapassa a forma escrita e elaborada de ideias sentidas na cadência do ritmo próprio para se revelar como significado que anima, isto é, vivifica a filosofia e o seu ofício, a poesia é o percurso da memória nas colinas humanas que a modela e a partilha. Sem introdução, o livro no entanto, resulta do esforço do autor em encontrar as linhas filosóficas capazes de ressaltar a presença de Ariadne no trabalho barroco da razão que se norteia ora academicamente, ora vulgarmente, mas sempre poeticamente, porque urge a permanência do exercício filosófico do amor. Eis o compromisso do poeta, ultrapassar e se valer da formalidade das palavras, das teorias do conhecimento, da filosofia para ser guiado pela musa e dela receber os dons advindos dessa permanência na dialética humanização de si e do mundo.
Janaína Balbino Lizardo

Serviço:

As Nereidas de Pandora
André de Góes Cressoni
Scortecci Editora
Poesia
ISBN 978-85-366-2921-6
Formato 14 x 21 cm 
44 páginas
1ª edição - 2013

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