CODINOME: AFONSO / José Ayres Lopes

O presente inquérito policial-militar foi instaurado por determinação do Exmo. Sr. General Comandante da Infantaria Divisionária da Quarta Divisão de Infantaria da Quarta Região Militar (ID-4 4a. RM)(...) Com a finalidade de apurar fatos e atividades de natureza subversiva, relacionados com o movimento clandestino de Ação Popular, atuando sob a forma de um futuro Partido Revolucionário do Proletariado, consoante o pensamento do líder comunista chinês Mao Tse-Tung. 14 – José Ayres Lopes, brasileiro, natural de Serra Negra - SP, filho de José Lopes e de Maria Bernardo Lopes, nascido no dia 23 Abr 45. Codinome: Afonso.

“(...) A tropa de choque da Polícia Militar trazendo cães treinados desceu a Rua Marconi, no centro da cidade, e avançou com violência sobre a passeata que tinha entrado na Rua Barão de Itapetininga. As bombas de gás lacrimogêneo e as de efeito moral quebraram a nossa resistência e fizeram-nos recuar e dispersar. O lenço úmido não conseguia anular o efeito dos gases e o som dos apitos para descontrolar os cães não eram suficientes para contê-los. Os olhos ardiam e o cheiro de enxofre sufocava. A fumaça, o barulho das bombas e a gritaria tomaram conta da rua. Protegemo-nos como foi possível e nos reagrupamos em outro lugar previamente combinado...”

“(...) Viajei para Belo Horizonte em março de 1969. Emilia viajou em abril. A viagem representou uma ruptura em nossas vidas. Não só porque deixamos a família, os amigos, a universidade, mas porque deixamos para trás a vida “normal”, a vida na legalidade. Agora estávamos na clandestinidade. Ela com 23 e eu com 24 anos de idade. A serem completados.”

“(...) A identidade falsa foi o segundo desprendimento da vida do estudante interiorano que tinha vindo a São Paulo, para trabalhar e estudar. Além de viver na clandestinidade, agora também eu já não podia mais ser o Ayres. A partir daquele momento, não era suficiente se esconder, era necessário esquecer o passado verdadeiro, viver como se ele nunca tivesse existido e assumir uma nova história, outra experiência, outra vida... E era preciso saber a história de vida na ponta da língua para não cair em contradição nem levantar suspeitas dos vizinhos e de quem quer que fosse. A nova identidade representou um mergulho ainda mais profundo na militância revolucionária.”

Serviço:

Codinome: Afonso
Recordações de um Militante da Luta Contra a Ditadura Militar
José Ayres Lopes
Scortecci Editora
Memórias
ISBN 978-85-366-3257-5
Formato 14 x 21 cm
120 páginas
1ª edição - 2013

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