TEATRO DO ABSURDO / Robson Miguez

Dezembro de 1997. Entrava em cena o Teatro do Absurdo, livro de estreia de Robson Miguez. O poeta tanto fez que conseguiu: articulou parcerias, selou apoios culturais e arrecadou doações até tornar possível a publicação dos manuscritos.

Foi uma típica edição de autor, de tiragem reduzida, vendida, pessoalmente, cada exemplar. Depois do festejado lançamento, a obra tomou gosto pela vida e estabeleceu rumo próprio em direção aos leitores, a ponto de marcar novos encontros em próximas edições e diálogos. Uma via de mão dupla.

Esses poemas gostam de conversar com o público. Quem os lê pede bis. Após uma segunda tiragem em 2003, Teatro do Absurdo chega à sua terceira edição, também de autor, independente, revista e ampliada. Tal como a fênix mitológica, a obra reaparece forte e robusta, com alguns poemas a mais, referências especiais no rodapé e recheada de dedicatórias que surpreendem pelo inusitado da reverência: não é comum citar tantos conhecidos no miolo de um livro como forma de homenagear lembranças e perpetuar gratidão.

Poesia instantânea, certeira, dedicada e inevitável. Inspiração que vem da mais longínqua dimensão poética ou do mais próximo dos momentos, pensamentos, sentimentos, memória, insight. Teatro do Absurdo, além de primeira obra, honrada com o prefácio do mestre Nascimento Morais Filho, é a prova de que o autor insiste, resiste, existe, é. Robson Miguez vai tocando a vida assim, poeticamente, seja na escrita, na música ou na pintura (confira a capa!). Ás vezes também declama, só para se manter no ritmo e no encanto da tradição de São Luís, sua ilha natal e morada desde o berço.
Izabel Drulla Brandão

NASCIMENTO MORAIS FILHO NÃO MORREU: Matéria publicada no Jornal Pequeno, no Espaço do Leitor, no dia 21 de março de 2011. Nascimento Morais Filho. Em 21 de fevereiro, completou-se dois anos de seu falecimento na Ilha de São Luís que, ao chegar ao céu, ganhou um novo corpo. Devemos a ele, entre tantas obras literárias e ações culturais, a descoberta da primeira romancista brasileira: a maranhense Maria Firmina do Reis (1825-1917), educadora (primeira mestra-régia, ou professora primária concursada, de Guimarães/MA) e compositora (fez músicas de bumba-boi e musicou versos atribuídos ao nosso maior poeta Gonçalves Dias).

Ao escrever o romance “Úrsula”, sobre a escravidão, tornou-se a primeira escritora abolicionista brasileira, antes mesmo de Castro Alves, o Poeta dos Escravos, segundo informações da filha de Nascimento Morais Filho, a enfermeira Eleuse, sempre próxima do pai em vida. Nascimento Morais Filho conviveu com grandes nomes da música, como Antonio Vieira e Lopes Bogéa, e da literatura brasileira e mundial, entre eles Jorge Amado, Bandeira Tribuzi e Ferreira Gullar.

Enquanto este, anos depois, foi para o Rio de Janeiro, Nascimento Morais Filho não quis ir. Preferiu ficar com a sua família na capital e continuar seu trabalho como fiscal do Estado, o que lhe permitia viajar muito pelo Maranhão e conhecer de perto, registar e estudar inúmeras manifestações folclóricas. A minha avó Juliana Moreira Miguez (Lilica), de origem espanhola, era muito sua amiga.

Era, como ele, muito culta e fez radionovela nas décadas de 1940, 50, 60 em São Luís, a ilha onde escolheu para viver com minha mãe, sua única filha, adotada, afrodescendente como o pai de Maria Firmina dos Reis, a romancista descoberta por Nascimento Morais Filho. Eu, particularmente, devo a Nascimento todo o incentivo que culminou com a minha estreia literária, no Museu Histórico e Artístico do Maranhão, na Rua do Sol, em 1997. Foi ele quem promoveu o lançamento (edição independente) do meu livro de poesia Teatro do Absurdo, selando ali mais uma de suas parcerias.

Meu convívio com Nascimento se estreitou a partir de 1988, ano do falecimento de minha adorada mãe Maria da Graça Miguez Dias e do meu retorno a São Luís após interromper, obrigado pelas circunstâncias, o curso de Jornalismo na Universidade Regional do Nordeste, em Campina Grande, na Paraíba. Esse grande amigo, que passei a considerar meu padrinho e que gostava de ser chamado de professor, o maior pesquisador do folclore do Maranhão, foi um excelente pai de família para seus cinco filhos: Ana Sofia, José, Eleuse, Renan e a caçula Loreley, que me incentivou a prestar o vestibular para Jornalismo e a quem chamo carinhosamente de irmã.

Poucos tiveram o privilégio da convivência com Nascimento Morais Filho no exercício da proximidade literária. Por isso, sou muito grato a todos os seus filhos por me concederem esta oportunidade de agradecer publicamente, do fundo do meu coração, por seu pai ter me descoberto como escritor, auxiliando-me incansavelmente na busca de minha identidade artística e no meu ingresso no universo da literatura e depois na música e nas artes plásticas.

Nascimento Morais Filho continua vivo na obra que deixou. A meu modo, como amigo eterno e agradecido, sigo levando em conta seus ensinamentos e preparo lançamentos literários de minha autoria para este ano e o próximo. Espero que, esteja onde estiver, ele possa ver o resultado do que criou com sua generosidade e intuição de um grande escritor. Se não podemos mais trocar ideias e opiniões, como fazíamos antes, uma coisa é certa: continuo sentindo sua benção, padrinho!

Serviço:

Teatro do Absurdo
Robson Miguez

Scortecci Editora
Poesia
ISBN 978-85-366-3568-2
Formato 14 x 21 cm 
88 páginas
1ª edição - 2014

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