DESORDENS DO OCASO / Wagner Andriote

Desordens do Ocaso retrata com peculiaridade o inconformismo e as inquietações diante das gigantescas injustiças e mazelas sociais perpetradas pelo ser humano: “Não há estrelas esta noite. / Recolheram-se em sofrimento / Para não serem testemunhas / Das mortes dos filhos do relento”. Ao mesmo tempo, e de forma sutil, permite entrever no ser marginalizado o seu valor e a sua humanidade esquecida: “Criança que brinca, não sei o teu nome, / Mas o sorriso alegre atrás da candura / Não disfarça o abandono e a fome, / Nem a carência da humana ternura”.

De forma singela, exorta o poder da palavra onde “toda indiferença será rompida pela força de um poema”. Nem por isso a obra, em contraposição à revolta com a pequenez da alma, deixa de ornamentar a grandeza da vida e do sentimento maior do amor: “O coração, às vezes tão frágil, / Açoitado pelos trovões do sonhar, / Mas sensível e ainda ágil, / Comove-se diante do fascínio de te amar”. Assim, a quem se recolher nos recônditos destes versos, será permitido tanto rebelar-se com as vicissitudes da descompaixão humana, como também embeber-se no encantamento e na beleza captadas pelas retinas sensíveis e implacáveis do poeta: “Fiz asas do que me fez tormento, / No poeta que habita meu destino. / No voo dos pássaros que invento, / Nos imperecíveis encantos de menino”.

O belo, o abismo interior e a sofreguidão pela busca de um ser humano melhor se abraçam na poesia: “Quem és tu, homem? / Além dessa humana ambição, / Além dessas almas injustiçadas, / Além dessa vontade de ser pão / Para todas as bocas esfaimadas?”. Um livro perturbador, que através do poder e do encanto da poesia nos convida à reflexão e leva o leitor a rever seus valores, a repensar seus conceitos e preconceitos e a questionar nossa frágil e precária condição humana.
Ligia Tambolini

Escrevo
Porque a vida é um livro vazio.
Um sobrenadar entre prantos.
Mar de dores e espantos,
Oceano de razão e desvario.

Escrevo
Porque a vida tem encantos.
Abraços que revelam o riso,
Universo infinito de entretantos.
Escrevo porque viver é preciso.

Escrevo
Porque o amor vale a pena.
Porque meu DNA é poema,
A brincar de roda na poesia.
Escrevo porque senão morreria...

Wagner Andriote nasceu em 1974, na cidade de Dois Córregos, interior paulista, filho de Luiz Aparecido Andriote e Lourdes Capelari Andriote. Leitor voraz, sempre se mostrou amante da literatura e da poesia, paixões que o levaram inevitavelmente à escrita. Ávido por encontrar conhecimento e respostas às suas inquietações e as do mundo, aventurou-se em novos caminhos e fixou morada na capital paulista. Encontrou na megalópole a diversidade de formas, cores, seres e culturas, o que intensificou seus sentidos e a sensibilidade já aguçada, impulsionando-o definitivamente ao universo poético. Participou de duas antologias, uma pelo site Alma Carioca e outra pela Scortecci Editora, Incertezas e Suas Fragilidades (volume I). Além do exercício de atividades profissionais relacionadas à ciência jurídica, dedica parte do seu tempo à sobrevivência poética.

Serviço:

Desordens do Ocaso
Wagner Andriote

Scortecci Editora
Poesia
ISBN 978-85-366-3721-1
Formato 14 x 21 cm
80 páginas
1ª edição - 2014

Mais informações:

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