PRÓLOGO / Fábio Diógenes

Essa malha que nos envolve é um pouco de tudo que sobrou, não que seja resto, digo sobra porque é exatamente isso. Jamais a festa fora feita para tantos, os desígnios divinos vão à comunhão com os tais escolhidos, não estão na mesma linha que nos une, por outro lado, caminham sobre nós e sorriem do nosso destino. Chamo-me Tião, alguns brincam com meu nome e ficam conjugando-o, outros me perguntam se não se trata de uma homenagem ao santo, sempre lhes respondo que apesar das flechadas não há muito que haver em comum, mesmo porque Tião é sempre Tião.

Certa vez, disseram que Tião era nome de macaco, não levei a mal tal afirmativa, afinal macacos são homens animalizados, e qual a diferença se estamos do mesmo lado quando a luz se apaga? Os colegas me tomavam por brincadeiras diversas pelo fato de me encontrar sempre sorrindo e alegre por minha generosa natureza, então começavam a me gritar: Tião! Tim, ão! Ti ãooooooo! Tinham! Tin, ãoão! E por essas e outras caíamos na gargalhada, mas o que mais agradava era quando um êrezinho me chamava, parecia que meu nome soletrava em suas palavras: T- i -n- h- a- m. Acabou ficando uma mistura de nomes, porém, também, alguns me chamavam pelo apelido que haviam me dado, por causa do tom de minha pele e pelo meu sotaque resultante das misturas de línguas, assim me alardeavam por aí com gritos de Brasil. Era um tal de vai Brasil! Vambora Brasil! Como se fosse possível, naquela idade, eu realizar algo grandioso. Agora vejo que se tratava de uma admiração por parte das cabecinhas ingênuas dos curumins. Depois de um tempo passaram a me chamar por ambos os nomes e na junção, ficou um tanto esquisito, mas gostei, determinaram-no: TINHAM BRASIL.

Quando nasci, a primeira coisa de que me lembro é ter aberto os olhos, em seguida os fechei e comecei a chorar. O sinal de vida e de bom estado, ao nascer, é o choro lacrimejado seguido de gritos e soluços, e de alguns espasmódicos movimentos, contudo essa composição de boa vontade perde a graça quando o tempo do nascer translada para a existência real da vida. Aprendi a ficar de olhos abertos, em contrapartida fechei a boca. Porém, o silêncio interno sucumbia-me mais do que a poeira que se aloja no globo ocular, pude perceber, então, que me tornava cada vez mais a junção do que via e calava. Cansei, de fato estou cansado de usar apenas os sentidos que me colocaram, agora desejo tocar a outra margem de minha alma, a silenciada. Chamo-me Fábio Diógenes dos Santos Silva, natural de Andaraí, Bahia, nascido em 06/12/1979. Estou em formação acadêmica dos cursos de Letras e Ciências Sociais, e busco uma série de respostas para a miríade de perguntas que não deseja mais se calar. Esse é o primeiro volume de uma sequência de três livros dentro dessa mesma linha de pensamento, prosa e poesia, que visa ilustrar algumas inquietações e também criar um ponto novo para um prolixo diálogo. Sim, essa será nossa conversa de sempre. Prólogo: Aventuras e Desventuras, começou como um breve ensaio que tomou proporções inimagináveis dentro da proposta inicial, e assim se fez necessário maior labor para adentrar o universo requerido pela personagem e as situações vivenciadas dentro do seu âmbito.

Serviço:

Prólogo
Fábio Diógenes

Scortecci Editora
Literatura
ISBN 978-85-366-4053-2
Formato 14 x 21 cm 
44 páginas
2ª edição - 2017

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