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BOLETIM DE OCORRÊNCIAS / Marcos Frota


BOLETIM DE OCORRÊNCIAS – O último golpe de Ricardo Reis e as notícias da República de Pitimbu – não é tão só uma alegoria sobre disputas. É também um bailado de ensaios do bem e do mal e de suas diferentes manifestações nos mundos do crime, da política, dos negócios e também das paixões. Em essência, é uma exposição sobre vieses da natureza humana. Há sedução de cena chamando cena. Uma vez montado na narrativa não dá mais vontade de desapear, a não ser quando concluída a leitura e esgotadas as sensações – uma parábola sem a procura de dimensionar ensinamento, porque as tintas são apreendidas também no realismo-fantástico. A história não é uma só. Nem busca impor a presença de uma figura nuclear, ainda que tenha no título o nome de um personagem focal, cujo alter ego também é apresentado. A figuração não está exclusivamente nesse ou naquele ator, mas no todo. A cadência, envelopada em seu ritmo, desfila gente que parece ter de fato existido. Quem vai lendo e arrancando véus de cenas também pode dizer: ei, este parece fulano, aquele é sicrano – em meio a provincianos, nacionais e outros do proscênio internacional.
É permanente a disputa de criativas filigranas, de cacos, no dizer do teatro, e de engenhos sem assemelhados, tais como: o buraco que atravessa mundo, o poder das ondas das águas da lagoa, os véus, o andar nu no mundo, os deslocamentos das coisas no equinócio, a parceria do padre com o galo e as expressões de liberdade, como a mijada ao ar livre nas proximidades do falo, que é o farol marítimo. Engenharia e arquitetura do romance duelam – embates entre a carpintaria do fraseado e a tessitura das tramas. Não são golpes isolados, o autor está sempre armando um bote – trama dentro de trama, em prosa e em diferentes poetizações. Do dicionário das ações: como pode nascer um partido político; onde os crimes e os castigos pedem ajuda um ao outro; o negócio da incorporadora de imóveis e trambiques que as leis legitimam. Os entremeados e cortes das entrelinhadas, como nas conversas sobre o roubo do banco, e como o bem e o mal se recompensam? A narrativa se mantém de pé. Sem precisar de refletor ou de pedestal anima filósofos, cientistas, escritores e artistas, obras e personagens, em sofisticada exibição. Sem a ganância de, na menção e no citar, ir além do necessário para moldar o dito ou o feito. E derreia como unguento, nas cenas e nas falas, o conhecimento de culturas mais próximas, mais conhecidas e até as mais distantes. Autores e citações comparecem nos momentos apropriados, quando são necessários, e não como cajado de andarilho, mas como bastião para endossar e aformosear o texto. Escrever BOLETIM DE OCORRÊNCIAS deve ter conduzido a momentos de deleite, como de deleite foi fazer sua leitura. O “último golpe” é do autor.
Frota Neto, jornalista 

“Não raro, escritores resgatam antigos personagens para fazê-los trabalhar, como se ainda não tivessem dado tudo. Muitas vezes, isso acontece porque o personagem e a realidade imaginária têm semelhança de caráter. Em BOLETIM DE OCORRÊNCIAS, o traficante brasileiro, Ricardo Reis, protagonista do romance O Pintor de Calçadas, fugiu para os Estados Unidos da América para esconder o passado e viver uma nova vida. Mas a corrupção mudou seu país, originando a República de Pitimbu. E miasmas da desvairada república encontraram terreno fértil em Ricardo Reis, forçando seu retorno às origens, para tirar proveito da degradação moral reinante.”
*
Obras do autor
Romance:
O Senhor do Tempo
O Punhal de Spinoza
O Pintor de Calçadas
Boletim de Ocorrências
As 7 Casas Brancas
Poesia:
Amor e Poesia
Sonetos de Amor e Desamor
Conto:
O Bar do Ulisses
O Macaco do Coco Oco
Tragédia em Retalhos

Começo do romance: 
“– Para ninguém, as plantas nascem sem as sementes. Mas os pobres são impacientes, comem as sementes e perdem as safras, enraizando a pobreza. Era um dia de fúria.”

Meio do romance:
“A política, naturalmente agarrada a ideias distorcidas, tem práticas ambíguas. Sujeitas a improvisações e a interesses personalísticos, eventualmente doentios. E se afasta da realidade e dos próprios fundamentos. O dinheiro é diferente, procura estabilidade. Crescente estabilidade e crescimento. É tudo que ele quer. Para isso, com extravagante poder movimenta o mundo. Constrói as veias sociais e nelas corre, como corre o sangue no corpo, promovendo a vida.”

Fim do romance: 
“A contingência que dá e tira não pode ser culpada. Por trás de tudo imperam forças ativas e reativas. Senhoras e escravas. E consequências se impõem. A insegurança, razão do Estado, associada à ignorância, fará o verde-oliva despontar de esdrúxulas raízes irrigadas por uma democracia atemorizante, na qual o direito se ajusta à política e velhos coturnos sentam praça no Estado.”

Serviço:

Boletim de Ocorrências
O Último golpe de Ricardo Reis e as notícias da República de Pitimbu
Marcos Frota
Scortecci Editora 
Ficção
ISBN 978-85-366-5907-7
Formato 14 x 21 cm
224 páginas
1ª edição - 2019

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