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O RIO SÃO FRANCISCO / J. Moraes de Souza


Os rios, mesmo aqueles de pequeno porte, desempenham uma função importante ao longo do seu percurso. Dão água para os mais variados fins, além de fornecerem alimento de graça para quem vai pescar, e ainda facilitam a ligação com intercâmbios variados entre os lugares existentes nas suas margens. Quem, portanto, se der ao trabalho de analisar um pouco, chegará facilmente à conclusão de que todo rio deve ser tratado com respeito e carinho, não somente por aqueles que dependem dele, mas também pelo poder público, que tem como uma das suas obrigações zelar pelo patrimônio natural, pois trata-se de um bem que deve ser preservado para que possam usufruir de suas benesses as futuras gerações. Muito já foi dito em prosa e verso sobre o Rio São Francisco. Até mesmo Castro Alves, que empregou o seu poderoso estro em favor da libertação dos escravos, reportou-se a ele, tomando como base a Cachoeira de Paulo Afonso, talvez por julgar que ela tivesse alguma afinidade cósmica com os arroubos da sua inspiração. Disse, dele, entre outras coisas o seguinte: “Do São Francisco a soberana vaga,/léguas e léguas triunfantes alaga!”. Esta não é a primeira vez que o autor deste livro escreve sobre aquele importante curso d’água. Alguns anos atrás, publicou um trabalho intitulado “Estertores de um rio”, em que aborda, em linguagem simples, a morte lenta do mesmo, em virtude do desmatamento descontrolado de suas nascentes, bem como de seus afluentes e margens, para a implantação de lavouras predatórias e, sobretudo, de pastagens, ocupando grandes áreas, destinadas a engordar rebanhos de pessoas preocupadas apenas com a obtenção de vultosos lucros, sem levar em consideração os desequilíbrios do meio ambiente. A cada ano que passa, o São Francisco fica mais raso e fraco. Definha rapidamente. E a prova disso pode ser verificada sem muito esforço no lugar em que ele desemboca no mar, pois não dispõe mais de forças para penetrar fundo nele, como antigamente. Grandes coroas, lenta mas inexoravelmente, vão tomando conta do seu canal, desfigurando a paisagem. Infelizmente, desde o seu descobrimento até a presente data, nada foi feito pelo poder público no sentido de revitalizar aquele rio, evitando assim o seu progressivo assoreamento, que não permite mais que embarcações de grande porte trafeguem nele com desenvoltura, como aconteceu algum tempo atrás. Em vez disso, estão pretendendo agora desviar o pouco de água que ainda lhe resta para irrigar terras secas em alguns lugares do Nordeste (corrigindo assim um possível “erro” da natureza), o que acabará, com o decorrer do tempo, prejudicando não somente a população ribeirinha, mas também a de outros lugares que dependem do grande rio para sobreviver naquelas plagas.

Serviço:

O Rio São Francisco
(e outros poemas)
J. Moraes de Souza
Scortecci Editora 
Poesia
ISBN 978-85-366-5901-5
Formato 14 x 21 cm 
156 páginas
1ª edição - 2019

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