Receba nossa Newsletter: Nome Email

SPANÍA E TIRULÊTE / Dias de Cordel


A esperança sobrevive

Chances? Eu desperdicei
Sem jamais me decidir
Foram muitas e eu notei
Que pelas quais não senti
Nem mesmo uma afinidade
Tampouco houve ansiedade
Sobre tudo o que sonhei.

Tudo passa sobre a Terra
E eu vou passando, também,
Mas minha vontade encerra
Desejo, e eu vou mais além
Sempre com sorriso franco
Só que meu cabelo branco
Estraga, o que ainda tem.

Mas inda há uma esperança
Antes que eu me vá embora
Nem sempre tudo se alcança
Só que não passou da hora
E estou na expectativa
Porque sei que há perspectiva
Só que, sem dúvida, demora...

Aqui, ou seja onde for

Não quero ser perdedor
Mas vou perder, por que não?
Aqui, ou seja aonde for
Posso perder, sem razão
De ser, visto que eu queria
Vencer, sem dúvida, algum dia
Claro, e sem contestação.

Quem já perdeu vai vencer
Porque a roda da fortuna
Muda, é claro, a bel-prazer
E a má sorte, inoportuna,
Que faz perdedor aqui
Muda pra vitória, ali
Preenchendo uma lacuna...

E o pedestal do sucesso
Só pertence ao vencedor?
Conheço bem o processo
Porque já fui perdedor
Mas tenho é mais que esquecer
Porque logo irei vencer
Aqui, ou seja onde for.

Bom perdedor

Perder? Pode ser ruim
Mas me deixa bem melhor
Querendo não, pelo sim
Me torno um pouco maior
Pois se eu ficar remoendo
A mágoa de estar perdendo,
Sem dúvida, eu serei menor.

Quantos nãos eu recebi
E dei a volta por cima
Sem dúvida que me senti
Ferido, em minha autoestima
Porém quanto mais perder
Vou aprendendo a vencer
Mesmo o que alguém subestima.

Quero ser bom perdedor
Com tendência de vencer
Perder, do jeito que for
Não vai me desmerecer
Nem tudo eu quero ganhar
Porque perder vai me dar
Mais vontade de vencer.

Quem possui o que é seu

A mulher nunca esqueceu
De fazer o que bem quer
Pois quem possui o que é seu
Não rema contra a maré
E que haja ou não abandono
Nunca haverá único dono
Pois disso, sabe a mulher.

Não será contradição
Se um velho não mais quiser
Pois pode isso ser questão
De tempo, se algum houver
Nunca há de ser novidade
Que a mulher tenha vontade
E queira armar seu mundé...

No tempo de Adão e Eva
Que é uma história sem pé
Nem cabeça, e que me leva
A descrer, mais que puder
Mas atendendo ao direito
De ganhar, de qualquer jeito,
Sem dúvida, alguma mulher.

Setembro é da veiarada

Setembro é mês de veim
Que às vezes é presunçoso
É velho mas, mesmo assim
Quer ser chamado de idoso
Porém isso é eufemismo
Sempre ligado ao modismo
De um hipócrita, melindroso.

E há mais velho prepotente
Que é capaz de muita asneira,
Sem dúvida, que é insolente
Mesmo sem eira e nem beira
Igual um escaravelho
Jovem idoso e não velho
Que tapa o sol com peneira.

Gosta bem mais de mentira
Daquela que engana a gente
Debocha até de um caipira
Melhor que ele, lá na frente...
Com mais vergonha na cara
Que algum velho babaquara,
Desdenhoso e prepotente...

Serviço:

Spanía e Tirulête 
Spanía era dotada/De uma rara inteligência por isso foi convidada,/Claro, por conveniência para estudar em Paris/Mas seu genitor não quis por mais de uma divergência. 
Dias de Cordel
Scortecci Editora 
Ficção
ISBN 978-85-366-6058-5
Formato 14 x 21 cm
68 páginas
1ª edição - 2019 

Mais informações:

Para comprar este livro verifique na Livraria e Loja Virtual Asabeça se a obra está disponível para comercialização.
Voltar Topo Enviar a um amigo Imprimir Home