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POEMADURO - Mailton Rangel

O livro Poemaduro, de Mailton Rangel, procura extrair da palavra o máximo proveito, em especial, por meio de jogos sonoros, fazendo eclodir toda a semântica dos signos, dos sons e até dos silêncios representados pelos aspectos da palavra que não são explícitos no poema. O leitor poderá perceber que essa preocupação cativa e estimula a leitura até o final de cada unidade, onde quase sempre se encontra uma mensagem forte, dura e, ao mesmo tempo, desconcertante. Melquíades Ayres de Aguirre.

Mailton Rangel, poeta, compositor e artista plástico, nasceu no dia 07 de setembro de 1952, em Italva, interior do Estado do Rio de Janeiro, quando a cidade ainda era um precário distrito do Município de Campos dos Goitacazes. Oriundo de família humilde, erradicou-se na Baixada Fluminense desde os três anos de idade onde, durante as décadas de 70 e 80, mesmo extraindo seu sustento de subempregos, também se integrava, na medida do possível, a movimentos culturais e de formação de jovens. Assim, ele consolidou seu gosto pelas artes, apurando substancialmente a visão crítica que hoje exterioriza nas canções e poemas que cria. Ainda em 1980, publicou seu primeiro livro “Pólen ao Vento”, mas por considerá-lo só um arroubo da juventude, cujo teor se estagnava um pouco àquele momento político-social, o autor jamais aceitou reeditá-lo. Atualmente, por força do cargo de analista judiciário que conquistou em 1997, mediante concurso,

Mailton Rangel é um bacharel em Direito, e não em Letras, Música ou Filosofia, como lhe pareceria mais inerente. Porém, meio que paradoxalmente, tal formação somente lhe acrescentou em termos de senso de justiça e de cidadania, o que corrobora com a sua poética voltada prioritariamente para a defesa da dignidade e da essencialidade humana, atributos que, afinal, também figuram como objeto de tutela da corrente naturalista das Ciências Jurídicas. O brilho e o encanto das palavras arrebataram meu peito desde muito cedo. Quando dei por mim, ainda adolescente, eu já imprimia meus primeiros poeminhas nas sobras dos cadernos de escola, pois sintonizando o quanto dessa essência se dispersava na comunicação verbal, vislumbrei no ato de escrever a forma mais segura e gratificante de apreender as tantas pérolas que se formulam pela emoção. Palavras, se ordenhadas pela grafia, assemelham-se às flores: quando reunidas em arranjos metódica e carinhosamente elaborados, assim como essas, elas também podem nos surpreender com uma beleza muito mais substancial. Entretanto, as flores murcham, esvaindo seu encanto e dispersando seu perfume, enquanto que as palavras, além de indeléveis, tendem a congregar no bojo de sua perene excelência, uma surpreendente propriedade terapêutica, passível, a um só tempo, de perfumar a vida amarga de alguns homens, dimensionar o equilíbrio de outros e remediar a alma entorpecida de uns terceiros. É por isso que eu escrevo!

SERVIÇO:
Poemaduro

Mailton Rangel
Scortecci Editora
Poesia
ISBN 978-85-366-0753-5
Formato 14 x 21 cm - 112 páginas - 2007

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