O MAR DAS MINHAS ILUSÕES / Gasparino José Romão

A poesia é a “arte de escrever versos. É aquilo que desperta o sentimento do belo e o que há de elevado e comovente, nas pessoas e nas coisas. A poesia é sobretudo, encanto, graça, atrativo” (Aurélio Buarque de Holanda), “é o caráter do que comove ou eleva a alma, do que inspira; inspiração. Elevação nas ideias e no estilo.” (Laudelino Freire).

Apesar de ser a poesia uma arte “sempre haverá uma poesia popular sem arte e poetas populares sem o apuro gramatical e métrica, versejando com o falar a gentes místicas.” (Olavo Bilac). Em seu completíssimo Dicionário Howaiss da Língua Portuguesa, o saudoso Antônio Howaiss, em sua longa explicação em um trecho, assim define a poesia: “a arte de excitar a alma como uma visão do mundo, por meio das melhores palavras em sua melhor ordem, poder criativo, inspiração, o que desperta o sentimento de belo; aquilo que há de elevado e comovente nas pessoas e nas coisas...”

Contudo, nenhum dos verdadeiros poetas deixou de entender a poesia como um sentimento, que brota no recôndito da alma da gente, que não pode ser expresso quando bem queremos, mas, quando a inspiração no-la dita, expressão maior das vozes da alma, que não tem hora certa para se manifestar, brotada como a flor do campo, na transcendentalidade de pensamentos rítmicos, na cadência das expressões divinas. As poesias que eu escrevo são apenas a manifestação da minha alma, traduzida na tela que eu tento bosquejar, com o imaginário pincel da memória e revelar como o filme multicolorido de uma paisagem da vida, que é um fugaz instante em que a gente carece de uma existência inteira para conhecer e desfrutar. Os meus versos são pedaços da minha alma, que eu vou deixando esparsos pelos meus caminhos.
Gasparino José Romão

Um dia eu vi o mar...
Nas suas ondas revoltas que chegam à praia que, qual um parapeito as rechaçam fazendo-as de volta, sonhador, eu as entendi como um simulacro da vida, nas suas incertezas e nos seus movimentos, negaceios, que nos deixam perplexos nos vai-e-vens, parecendo-nos convidar para a dança ilusória dos seus revolteios.

Um dia eu vi o mar...
Quando, revoltas as suas ondas batendo nos penhascos das encostas, eu quis voltar com elas ao mare liberum, num sonho acordado, talvez, os pensamentos foram levados no roldão das idas loucas, para os confins, misturando-se às outras vagas, no embate das revoltas ondulações do alto mar!

No êxtase da inquietude desse estado da alma, eu não tive outra opção, senão o retorno ao pensamento inicial e, apreciando de novo o pélago em ebulição, voltar às lembranças, um pouco atrás, para repetir: Um dia eu vi o mar...

Revolto, nas suas impetuosas vagas e incessantes desafios à solidão do mundo, em espumas, numa afronta talvez à perspicácia humana, o pélago, contido nos  seus limites, é sempre um mistério que ao homem, ainda, não foi dado desvendar.

O que importa se o pense dominado, quando singrando as suas vagas revoltas, em suas naves às vezes descomunais, o ente humano, de lado a lado, ultrapassa os  seus furores e, chegando da outra banda, despeja os produtos da sua ceifa no cultivo das suas terras, do labor da faina que o destino a ele impôs, como preceito aos seus desafios na conquista dos seus intentos.

O mar apesar de toda e tanta grandeza, foi dado ao homem para dele se servir e, na transcendência da sua magnitude, sempre será o veículo natural para as tarefas maiores que o ser humano vem de lhe reservar.
O mar, o mar o grande mar!

Serviço:

O Mar das Minhas Ilusões
Gasparino José Romão
Scortecci Editora
Poesia
ISBN 978-85-366-2165-4
Formato 14 x 21 cm 
116 páginas
1ª edição - 2011

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