BERNARDO, O ESCULTOR / Maygon André Molinari

Um escultor solitário, cansado de trabalhar para a elite que o rodeia, encanta-se com o olhar enigmático de uma camponesa. Desde então, uma nova concepção de arte se apossa dele, juntamente com uma nova e vigorosa concepção de vida. A trajetória de busca do escultor pela camponesa é o tema deste romance. Não se pode, contudo, limitar tal obra a uma história de amor, pois o amor tem tanta relevância neste livro quanto os devaneios, os temores, as angústias, as decepções e, também, as esperanças.

Bernardo, o escultor nos mostra que estabelecer um caminho para si mesmo pode ser algo perigoso, subversivo, pois o mais seguro e conveniente seria seguir rotas já traçadas anteriormente por outro – ou por toda uma sociedade. A subversão, advinda de tal caminho, é também a opção de quem não traça pequenos limites para a própria vida, que não se contenta em mover-se dentro de pequenos cercados, e que constrói para si, antes de tudo, uma arriscada trilha interior, pela qual trafega em busca de uma lucidez que não se encontra à venda em um mercado, a qual só se pode adquirir depois de cruzar os áridos desertos da própria alma, assaltados pela insanidade.

Um romance não deve descrever como aconteceu algo, ou como deveria ter acontecido, ou ainda como a vida deveria ser – a realidade, em um romance, é um novo mundo, e devemos pensar tal mundo como possuindo suas próprias regras, sua lógica, seu sentido – ou sua própria ausência de sentido. Escrever um romance para ensinar é, muitas vezes, tentar a contento dar conta do mundo, quando se poderia melhorar este mundo apresentando algum outro, um universo imaginário e quiçá possível. Pois, então, o mundo criado banharia o mundo dito verdadeiro com sua luz, e – de modo convicto como um amanhecer – irromperia descaradamente a densidade de trevas profundas.

Não significa que um romance não pertença a este mundo e que seu autor deva estar fora do espaço e do tempo. Heidegger e Wittgenstein nos mostraram que o homem não está (nem pode estar) desvinculado do mundo que o rodeia, pois está mergulhado numa cultura, numa forma de vida – tendo em vista que se trata de um ser corporificado. Este livro (talvez uma esquina entre a prosa e a poesia – ou entre a palavra e o silêncio) assume uma posição. Não está solto, não busca esquivar-se do real. Ao contrário, a realidade que apresenta é uma afronta à realidade que temos como certa, como dura, como sólida. A diferença está em que tal afronta não se exime, jamais, de ter o belo como norte (ou, no caso desta obra, como sul), pois, como teria afirmado o príncipe Míchkin, do romance O idiota, de Dostoiévski – A beleza salvará o mundo...

Maygon André Molinari nasceu em 1984, na cidade de Irati, Paraná, onde reside até hoje.

Serviço:

Bernardo, o Escultor
Maygon André Molinari
Scortecci Editora
Romance
ISBN 978-85-366-3172-1
Formato 14 x 21 cm
152 páginas
1ª edição - 2013

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