MEU MUNDO SUBMERSO / Maria Francisca Macedo Frazão

A autora descreve a epopéia que foi a criação da hidrelétrica de Furnas, na década de 60. O sofrimento dos "beira-rio", o descaso do governo, o desrespeito à natureza, o abandono dos invadidos pela água, o pífio pagamento pelas terras, a injustiça moral e psicológica e como consequência, a pobreza dos envolvidos.

Trabalhava muito, era professora e bibliotecária. No nascimento de Pablo, olhando-o no berço, imaginei que ele jamais teria a minha infância, pois fui cercada pela natureza. Embalada em seus braços, com ela convivi e dela me alimentei. Foram dias maravilhosos na Fazenda Cajuru, de meus pais. Então, aproveitando o meu descanso, escrevi minha história todinha para ele. Hoje, passados bem mais de trinta anos, revolveu ele presentear-me com esta edição e compartilhar com vocês essa história que era um sonho. E que só começou a tornar-se real quando meu pai, subindo as encostas da invernada, parou e exclamou num lamento: “Oh! Meu Deus, eu tinha de viver para ver água subir morro?! As comportas foram fechadas!”. Aí, ela subiu, senhora, serpenteando, imponente. Subia e entornava nos flancos; subia e se espichava nas várzeas. Subia e engolia os nossos sonhos. Nós, os “beira-rio”, fomos tocados um a um, morro acima, juntamente com bois, bichos, cobras, todos, sem exceção, dando lugar ao progresso oriundo da Hidrelétrica de Furnas.
Maria Francisca Macedo Frazão

O progresso, às vezes, chega de maneira inusitada. Outras vezes, de maneira planejada, mas sem que os seus protagonistas saibam a profundidade dessa escolha, pelo Estado. É o que se deu com a Hidrelétrica de Furnas. Os “beira-rio” sofreram todo tipo de privações, sofrimento e injustiças. O Sudeste se salvou do blackout, mas os desapropriados não se salvaram da ruína. A perda foi imensa, não só material, mas, principalmente, psicológica e social. Minha esposa foi uma dos figurantes dessa epopeia que trouxe beleza e progresso para a região: o doce Mar de Minas.
Geraldo Frazão

Maria Francisca Macedo Frazão nasceu na Fazenda Cajuru, em Araúna, Guapé (MG). É professora, bibliotecária, defensora pública, especialista em direito previdenciário e financeiro, procuradora do INSS credenciada, procuradora do Banco do Brasil na área de execuções, advogada e fazendeira. Suas grandes paixões: família, advocacia e roça.
Família: tudo.
Advocacia: profissão prazerosa, com várias vertentes.
Roça: preparo da terra, plantio, colheita. O ciclo da vida estampado na Mãe Natureza.
Meu mundo submerso é seu primeiro livro publicado.

Serviço:

Meu Mundo Submerso
Maria Francisca Macedo Frazão
Scortecci Editora
Memórias
ISBN 978-85-366-3168-4
Formato 14 x 21 cm
148 páginas
2ª edição - 2013

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