DIAS EM TEMPO DE CORDEL / Dias de Cordel

Não digo que o tempo passa, mas sim que nós passamos no tempo. Meus Dias sem concordância e o tempo que não passa são enfatizados porque quase todas as pessoas discordam desses meus Dias em relação aos outros e dizem que o tempo passou, está passando ou vai passar. Não estou nem um pouco preocupado com essa discordância sobre a minha opinião e a de outros mais que pensam como eu. Minha avó passou no tempo e esse continuou... Depois veio meu pai que se foi e o tempo ficou. Eu estou aqui por enquanto, mas devo fazer uma viagem forçada e, claro, não programada.

Só que o velho tempo não está nem aí pra ninguém. Vai continuar por aqui e é isso que meus versos, sobre esse mesmo tempo, dão a entender. Nós é que passamos no tempo que vai ficando... Quer queiram ou não os “inteligentes”, esse é um fato secularmente comprovado. O tempo com todas as suas variações deverá continuar do jeito que sempre foi, enquanto milhões de pessoas vão passando através dele. Um “inteligente” teve essa brilhante ideia e falou que é o tempo que passa. Daí em diante todos os “papagaios” passaram a repetir sem saber o que estão falando. Por quanto tempo? Sei lá! Minha previsão é pessimista. E aí, fazer o quê?

Eles são “inteligentes” e acham que podem mudar as coisas imutáveis. Dizem que alguém corre risco de morte. A expressão correr risco significa que determinada pessoa está na iminência de perder alguma coisa. Se eu correr risco de morte vou perder a morte e ficarei vivo para séculos sem fim, amém. É claro que eu gostaria muito de correr risco de morte, porque me tornaria um imortal em carne e osso. Isso é improvável que venha a acontecer. O que eu não quero mesmo, é correr risco de vida, pois com toda certeza estarei na iminência de perder a vida. Isso nem pensar. Esses tais “inteligentes” são especiais. Só que essa inteligência é, sem dúvida, do tipo que o diabo gosta.

Dias dos aprumos
Sem seguir os rumos tradicionais
Dias no Tocantins
Naqueles confins de ermos gerais
Dias sem escola
Que não jogou bola nem pôde brincar
Dias sete anos
Sem conhecer planos sem nada estudar
Dias nas chapadas
Em muitas caçadas aprendeu a pensar
Dias das amantes
Que eram fascinantes e faz bem lembrar
Dias das morenas
Loirinhas amenas pra gente ganhar...
Dias benfazejos
Cheios de desejos pra realizar
Dias na cidade
Por necessidade que pagou pra ver
Dias desiguais
Que tenta e jamais consegue entender
Dias que era um sonho
Foi tudo risonho mas só pra perder...

Não quer dizer ser poeta
Porque escrevo poesia
E nesse meu sonho ou meta
Não existe hipocrisia
Nem eu sou intolerante
Muito menos importante
Só por gostar de poesia.

Não sou nenhum repentista
Mas me ligo na poesia
Perder, pra mim, é conquista
Porque a derrota auxilia
E se eu cair nessa reta
Caio junto de um poeta
Que é magnífica companhia.

Eu sou só um grão de areia
Sem diploma e sem anel
Mas corre na minha veia
O sangue de um menestrel
Que me dá muita alegria
E é mais do que mordomia
Me “pendurar” num cordel.

Sou apenas um pinguinho
Caindo aqui por acaso
Faço só algum versinho
Vencido, ou fora do prazo
Mas sinto imensa alegria
Em respirar só poesia
Nesse eloquente Parnaso

Serviço:

Dias Em Tempo de Cordel
Dias

Scortecci Editora
Poesia
ISBN 978-85-366-3280-3
Formato 14 x 21 cm
124 páginas
1ª edição - 2013

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