ARMÊNIA, ENSINA-ME A SOBREVIVER / Célia Hossana Seraidarian / Ricardo Najjar

O livro dos autores Célia Hossana Seraidarian e Ricardo Najjar foi concebido pela inquietação de Célia, na busca pela resposta ao questionamento: “Por que o povo armênio continua a existir, não obstante consideráveis tentativas, ao longo da história, de eliminá-lo?”. Inúmeras civilizações do passado, contemporâneas dos armênios, tais como as dos sumérios, fenícios, caldeus, celtas, entre outros, desapareceram por terem sido dominadas e terem suas culturas absorvidas pelos conquistadores.

Como esse povo, que vive na fronteira de dois mundos, entre o Oriente e o Ocidente, de cristãos envoltos por muçulmanos, de brancos caucasianos entre povos de etnias tão diferentes, sobreviveu e está presente na história da humanidade há quase 3.000 anos? Yessai, sobrevivente do genocídio armênio do início do século XX e avô de Célia, sempre a surpreendeu com constantes mensagens de otimismo, esperança, fé e crença na vida, a despeito dos horrores vividos na infância. A busca pelas raízes orientais de Célia se intensificou quando aquelas características de seu avô eram também observadas em Karakin, seu pai, e em muitos outros membros da comunidade armênia. A magia envolvida na insistente resistência dos indivíduos desse povo frente a incontáveis invasões, repressões, ocupações e dizimações despertou a incontestável afirmação: Armênia, ensina-me a sobreviver! Como isso foi possível é o que o leitor irá descobrir no percurso desse livro.

A Célia foi uma pessoa densa, dedicada, equilibrada, honesta, coerente, verdadeira, humilde, estudiosa e amorosa; embora apenas adjetivos, em seu caso, são todos compatíveis e justificados. Conheci-a em um momento em que havia deixado sua vocação maior para se dedicar a assuntos familiares. Percebeu naquela ocasião que uma parte de si estava entrincheirada, aguardando oportunidade para retornar à ação; ação que a constituiu, que a notabilizou, nobre missão aliada a motores que foram muito além da profissão. Sua dedicação amorosa às necessidades alheias, mesmo em detrimento do seu fôlego inesgotável, entre outras características notáveis, tornou a Célia tão amada e admirada pelos seus circunstantes.

Felizmente não há necessidade de santificar a Célia, principalmente porque não combinaria com sua simplicidade e humildade. Apesar da coerência e da seriedade ímpares em seu trabalho cotidiano, nada em sua retórica soava arrogante. Sua honestidade de valores apenas flutuava em seu modo de ser direto e simples na relação com todos. Em função de sua singeleza, muitos demoraram a perceber a profundidade de suas palavras, ditas somente depois de demoradas e cuidadosas reflexões. Sua preocupação com o ensino, eivada de seriedade inigualável ao nomear aluno por aluno, ao conhecê-los a fundo, inclusive na sua vida pessoal, fugia ao habitual.

Surpreendente a forma sutil como a Célia percebia o aluno, ao notar através da dificuldade de cada um, o problema pessoal e psicológico atravessando as dificuldades em aprender questões específicas das matérias escolares; talento esse que era estendido aos colegas e funcionários, aos quais tratava com a mesma dignidade descontraída e desinteressada. Se devotada aos alunos, foi igualmente inclinada à família. Todos, sem exceção, mereceram seu tempo, sua disponibilidade, sua preocupação, seu desejo de ajudar. Característica irretocável da Célia: precisasse dela, ali estava para envolver-se de verdade com o próximo. Em algum momento, a Célia, influenciada pela figura de seu avô, interessou-se em estudar o extermínio cometido contra o povo armênio no início do século XX, por motivos evidentes como o fato de ser professora de História e de ser descendente de armênios, mas também indissociável do seu horror a injustiças.

Ao lembrar-se desse genocídio, Célia gostaria de não relegar ao esquecimento um fato tão ignominioso; ações a serem lembradas para não serem repetidas. A publicação do livro, propiciada pelos familiares, é tributo à Célia e aos povos vítimas de atrocidades. A Célia foi minha paciente em psicanálise por mais de quinze anos; posição privilegiada a minha, para discorrer sobre ela. Ao ler o escrito acima, pode soar exagerado a quem não a conhecia. Quem conhece a Célia, porém, perceberá que são palavras que exprimem apenas parcialmente toda a sua força e a sua luz.
Março de 2013.
Mauro Hegenberg - Médico, psicanalista. Doutor em Psicologia (USP). Professor do Instituto Sedes Sapientiae. Autor dos livros Borderline e Psicoterapia breve.

Célia Hossana Seraidarian era professora de História e Geografia, além de Português para italianos recém chegados ao Brasil. Neta do armênio Yessai Seraidarian, personagem que inspirou a presente obra.

Ricardo Najjar é engenheiro mecânico e administrador de empresas. Debutou no campo literário com a novela Pedro e Haquim, de 1997, editado pela Scortecci.

Serviço:

Armênia
Ensina-me a Sobreviver
Célia Hossana Seraidarian
Ricardo Najjar

Scortecci Editora
História
ISBN 978-85-366-3325-1
Formato 14 x 21 cm
208 páginas
1ª edição - 2013

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