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PANPOÉTICA DEMIA / José Seráfico



Este livro registra os sentimentos e reflexões de José Seráfico, em período dos mais penosos por que já tenha passado o Brasil. Às mortes impostas pela pandemia da Covid-19 acrescentaram-se outros males, mais graves e nocivos que os da própria doença. A contribuição das autoridades públicas federais, e a dos que se aliaram na hostilidade à Ciência e no desamor dedicado aos seus semelhantes (?), desenharam trágico cenário. Os hospitais já não registravam só as mortes causadas pelo coronavírus, até então sem meios de prevenir. Para aumentar a angústia dos infectados e o pesar dos que acabaram por perdê-los, concorria a omissão criminosa, quando não a ostensiva recusa em lhes prestar a atenção e o socorro devidos. Em Manaus, a sétima capital do País em riqueza material, chegou a faltar até o oxigênio necessário à vida dos pacientes internados. Os cadáveres foram colocados em caminhões-frigoríficos. Lá ficavam, até serem sepultados, sem a presença de parentes ou amigos, por coveiros exaustos porque assoberbados na triste faina Enquanto isso, a Ciência tentava encontrar o único e melhor meio de evitar matança ainda maior — a vacina. Não obstante, partia das próprias autoridades, desde o Planalto, a contestação à criação e uso da Ciência. Campanha oficial de desmoralização do respeitado e louvado programa de imunização foi desencadeada. Produzidas, as vacinas foram rejeitadas pelas autoridades, em aliança que o mínimo laivo de humanidade recusaria aplaudir. Não obstante, esse aplauso foi registrado.

“Entre artigos e passivos
o cartorário registra
em tristes livros
números e nomes de uma
conta
sempre produzida pelos
vivos.”
Balanço pandêmico, p. 124
 
“Quanto mais se cante
no escuro
insistente ainda que
bruxuleante
será mais viva
a vela da esperança”
Quando e onde, p. 16

“Não!
Não é esse
o mundo com que
sonho
em sobressalto
apenas me entristeço
me envergonho
me dói saber
quanta força tem o
mal
então, proclamo
a plena voz
o que todos deveriam
tal e qual:
Não! Desses eu não quero
ser igual!”
Indesejo, p. 47-48

“Do mesmo jeito é
a Poesia
intrometida onde há
tristeza e alegria
indiscreta mesmo
fiel ou mera
aleivosia
até na dor
dá sentido próprio
à vida”
Poesia e pan, p. 140
 
“Sucessivos passados
constroem o futuro
pelas mãos dos presentes
tempo sem limite
como um palco
cenário desmarcado
protagonistas conduzidos
em meio a tantos
vorazes suaves
às vezes entretidos
jamais satisfeitos
apetites”
... assim caminha
a humanidade, p. 66

“Lucidez
posta em verso
e canto mesmo
— sobretudo
quando faz escuro.”
O canto libertador, p. 73

Obras de José Seráfico pela Scortecci Editora:
Veleidades Poéticas
Nada é (nem será) tão Feio
Chamando à Ordem
(Des)Encontros Poéticos ou...
PanPoética Demia

Serviço:

Panpoética Demia
José Seráfico

Scortecci Editora
Poesia
ISBN 978-85-366-6716-4
Formato 14 x 21 cm
152 páginas
1ª edição - 2024
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